domingo, 26 de julho de 2009

Estou ficando velho, isso eu sei desde meu primeiro minuto que nasci....envelhecer é fato.


O que vem a seguir pode parecer meio fim de festa,como o professor Antonio Carlos sempre falava das minhas poesias....a coisa toda é a seguinte: Muitas vezes é frustrante a equação da vida...quanto mais envelhecemos maior fica o abismo do que queremos e o que não conseguimos fazer.Vejo muito isso, mas toda essa equação muda de quando temos essa conciência ?A crise da meia idade funciona como uma mola propulsora pra nos jogar para dentro do "jogo" ou pra fora dele...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Na calada da noite

Tá certo,não foi na calada da noite, o presidente Manuel Zelaya já tinha cantado a bola pros Estados Unidos.Mesmo assim, os vigias da liberdade deixaram pra lá, sabe lá Deus por qual motivo.Talvez não acreditaram num golpe ou não queriam se envolver em mais um embate internacional. E num dado momento, o Sr. Manuel fora levado para fora do país.Deu-se o golpe e os militares entraram porta a dentro no comando de Honduras.Sempre gostei do nome de sua capital,Tegucigalpa, talvez pelo enunciado,poetico.
Depois deste ato, todos os países do ALCA e do novo e ALBA(Alternativa Bolivariana para as Américas), foram contra o reconhecimento do novo governo.O presidente, Hugo Chávez, foi mais longe e ameaçou entrar em guerra caso os militares hondurenhos matassem seu embaixador.
Mas a saia justa partiu da senadora Hilary Clinton que se pronunciou primeiramente repudiando o golpe mas depois seu secretariado disse que ela repudiou mas queria manter o dialogo com os golpistas, deixando o resto da Alca sem ação.
Alguem já viu esse filme?Quantos governos foram depostos direta ou inderetamente pelo governo americano?Sabiam que Honduras foi um dos ultimos países a entrar pro time da ALBA?
A ALBA foi criada por nada mais nada menos que os senhores distintos:Sr. Hugo Chávez e Fidél Castro, visando não os interesses mercantis da Alca e sim os interesses cooperativistas e sociais das Américas.Será que a ALBA, um programa ainda embrionário já está dando tanto medo aos Estados Unidos?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Niemeyer na ativa

Vejo inumeras pessoas do alto dos seus vinte e cinco, trinta ou quarenta anos;inclusive eu;reclamando da fadiga, da falta de ânimo para levar os dias que esperançosamente nos leve a dias melhores.Muitos entregam os pontos, muitos acham injusta e ingloria a luta do dia a dia.Nos chegam aos borbotões fatos que realmente desanimam e "num ato hercúleo"os mais fortes levantam a cabeça e com os ombros pesados, olhar em riste, continuam sua jornada até a derradeira hora de cair no sofá e contemplar aquela caixa reluzente, esfuzivamente eloquente nos desnortear até o sono nos levar de vencida.
Hoje vejo aos cento e um anos, incansável e de uma mente totalmente criativa, marca maior de sua vida, Oscar Niemeyer mostra projetos novos para a cidade de Niterói e para Argélia.
Ignorando os revezes que a idade implica e a crendice popular declaram como incapazes, os centenários,Niemeyer surge como uma mostra do que uma mente sagaz e os avanços no ramo da saúde e podem prodígios,séculos antes inimagináveis.
Quero envelhecer ao modo Niemeyer,sabaz, incansável, sem traços da já ultrapassada crendíce de que lugar de velho é em casa de repouso!

anotações

bom, vou colocar algumas anotações sobre o que leio e vejo nos jornais.

*As leis , quando não rígidas, deixa brechas pros ratos fugirem"

*Todo país é burocrático nas questões administrativas e de logisticas, a diferença é a estrutura lógic,organizacional das instituições, que diferem no comprometimento do estado/população.

*A burocracia é criada para um fim e duas conclusões finais:ela é criada para dificultar,este é o fim.As duas conclusões:1-criada para dificultar falcatruas e atos ilicitos que prejudicam o estado e a população;2-criada para dificultar o escoamento orçamentário para a população e dificultar tambem a fiscalização do orçamento, criando brechas para que o governo manipule o orçamento ao seu bel prazer.

*Da última vez que os russos ouviram falar em "transparência", era "glasnost" se não me engano, o que se viu foi tão somente um vidro muito embaçado.Tem-se que tomar muito cuidado com o que o governo e certas institiuições bancárias chamam de transparência.O que o governo fez nessa semana(14 a 20/06/2009)em São Paulo, chega ao ponto do ridículo e irresponsabilidade.Traduziram transparência com exposição desnecessaria dos servidores do estado, dando nome, cargo e salarios, só faltando anunciar o endereço dos mesmos, ludibriando e deixando de lado o que deveria realmente ter transparência;as licitações e decisões governamentais e da casa da Câmara.
Aos incautos e iludidos, tão somente o que foi mostrado serve como explicitação das contas do estado mas Kassab e outros sabem muito bem que o fundo da carteira é bem mais escuro, escuso e fundo.

Entrando no Brasil.....meu país??

São coisas interessantes que passam pela minha vida neste momento .Hoje , dois meses que voltei pro meu país, pra minha terra natal e ando pelas ruas que andei a mais de vinte anos e a dezessete que não as freqüento.É realmente estranho e interessante o que acontece quando alguém passa tanto tempo fora de seu lugar.
O lugar que estava antes nunca foi e nunca será o seu lugar mas depois de tanto tempo, você tem por esse lugar uma certa empatia, um que de “seu lugar”quando não se tem o seu lugar por tanto tempo.De volta ao seu lugar, este não é mais “seu lugar” ou mudou tanto que não é sentido dessa forma.
Muitas coisas físicas;prédios, ruas, pontos de referência;mudaram, muitas coisas emocionais;amigos, conhecidos,familiares;mudaram de forma tal que não mais lhe remetem ao “seu lugar”, transformando o que era antigo lugar comum uma terra desconhecida, tal qual o lugar do exílio.Fica agora duas lacunas:uma onde sei que meu lugar é aqui mesmo não o sentindo dessa forma,e outra o sentido de que o outro lugar se tornou um ponto de referência para um lugar comum.
Várias lembranças de lugares se misturam entre um lugar e outro.As facilidades e as dificuldades de um lugar contrastam com outro dificultando o reencontro com o “lugar comum”.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Medidas



Ando tropeçando em minhas sombras,
Esquecendo a fundura do meu ego.
Quantas léguas se distanciam meus pensamentos
E quantos litros de saudades já bebi!
Loucuras a parte,
Que régua mediria
A distância da minha razão
Frente a loucura dos outros?
Horas, minutos, segundos,
Sintomas somente sentidos
Depois de trinta brumários.
Tempo medido,
Pela inconstância do verbo,
Pela insistência do relógio
A apontar-me os anos perdidos.
Quero, agora ,parar de tropeçar
Nos erros de minh’alma.
Parar de medir com régua e compasso,
Os passos de minha vida!
Chega de ser pouco na vida que muito me pede!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O Sósia de Jesus -capítulo 02

CAPITULO 02

Boris crescia a olhos vistos, com madeixas loiras e um olhar hora frio e distante, hora envolventes e calorosos.Divertia-se vendo os comerciantes na praça e o movimento da cidade.
Seu pai, comerciante rico e próspero, pouco ficava no convívio com a família, deixando a Hava, o encargo de cuidar dos negócios na cidade; coisa rara para as mulheres da época; os cuidados com a educação de Boris e os afazeres de casa. Mesmo contando com alguns empregados, Hava gostava de ter tudo às rédeas curtas,especialmente da educação de Boris.Nas vezes que Razi,pai de Boris, estava em casa, ensinava ao filho as línguas que conhecia, querendo assim educar o filho para futuramente gerir os negócios da família.
Boris era aplicado e gostava de encontrar comerciantes de toda parte e mostrar seus dons com as palavras, falando quase sem sotaque, aramaico, grego, persa e latim.Aos doze anos, um garoto dessa idade e com esse conhecimento era mais que um prodígio, dando a Boris prestígio e admiração entre os comerciantes ricos, amigos de seu pai, entre as garotas e até alguns garotos.Apesar disso, ele não fazia alardes quanto aos seus amores e paqueras.Seu porte e sua cultura atraia muitos rapazes mais velhos entre eles um certo Judas de Queriote.Um rapaz mais velho que ele uns cinco anos e que gostava de política e com um olhar ambicioso.Pensava até que Judas queria sua amizade por causa de sua classe social.Forte, não muito alto, com cabelos encaracolados e pele morena,andava sempre bem vestido e não escondia seu gosto por coisas caras assim como não escondia o ódio por Roma.Sempre que conversavam, invariavelmente o assunto vertia para os ditames de Roma e do quanto o governo era subjugado por algum imperador romano.Hora ou outra comentava a boca pequena sobre os zelotes e o que tramavam contra os romanos.Pedia aulas de latim a Boris em troca de algumas moedas e favores.Boris não fazia questão das moedas, tanto que cobrava muito menos que alguns professores, mas os favores...ah..estes sim fazia questão de merecer.Gostava de sentir que dominava um homem forte como Judas, fora os carinhosos beijos que nem as mulheres do baixo mercado davam.
Hava sabia dos gostos do filho por aquele pardo mas fechava os olhos e preferia nestas horas cuidar dos negócios.Queria ter dinheiro o bastante pra mandar Boris a Hébron, perto do pai e longe dessas amizades que levavam seu filho a perdição.Hava orava dia e noite para que o filho abrisse os olhos ás leis e seu povo.Muitas vezes brigava com Boris para que ele pelo menos usasse o quipá.Mas ele sabia como dobrar aquela “idishe mame”,pegava ela pelo colo e rodava até ela gritar que estava tonta e que ele iria machucar a coluna,largava Hava sentada rindo e se recompondo, vendo o filho sair rindo e cantando músicas de sua infância, músicas essas ensinadas por ela.Mesmo esses carinhos não eram o bastante pra que ela suportasse aquele pardo em sua casa.
Numa tarde,Judas bateu a porta da casa,porém Boris não estava.Hava aproveitou para chamar Judas para uma conversa.Levou-o para o jardim interno do pátio, acenando para uma das cadeiras como que ordenando para que ele se sentasse nela.Judas pressentia que a conversa não seria agradável e até fez menção de ir embora, sendo interrompido bruscamente.
-O senhor é de onde mesmo?-perguntou Hava.
-Minha família é do sul de Hébron,sou filho de Simão de Queriotes, senhora!
Logo Hava viu que seus planos de mandar seu filho a Hebron náo era boa idéia.
-Vou ser muito sincera,não gosto desta amizade com meu filho ,muito menos dos rumos que ela está tomando.Como sabe, somos uma família conhecida aqui em Bethlehem e já ouço comentários de suas visitas a minha casa.
-Minha senhora, não veja mal na nossa amizade pois seu filho para mim é como um irmão mais novo, a quem protegeria com minha vida, além de que nossa amizade se resume as aulas de latim que ele ministra quase que por dó sendo que me cobra bem menos que qualquer outro professor desta cidade.
-Quanto o senhor desejaria para deixar minha família em paz?-perguntou com os olhos faiscando.
-Não seria o caso senhora...
-Eu insisto em lhe prouver algum dinheiro para que ache outro professor que não meu filho.
-Sendo assim, senhora,cinqüenta moedas seriam o bastante para pagar um bom professor fora da cidade.
-Está de brincadeira...no mínimo trinta moedas e não mais.
-E o que explicaria a Boris?
-Disso cuido eu!-disse Hava já esticando um saco com trinta moedas à Judas.
Acompanhou Judas até o portão e sentiu um misto de satisfação e ódio.Satisfeita por livrar seu filho daquela companhia nefasta e ódio por ter que abrir mão de seu tão suado dinheiro. Agora poderia até apresentar a filha do rabino a Boris!